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Visto por mais de 230 mil espectadores, “Medida Provisória” simboliza potencial de retomada do cinema nacional
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Visto por mais de 230 mil espectadores, “Medida Provisória” simboliza potencial de retomada do cinema nacional

Artigo publicado no Tela Viva em 26 de abril de 2022

“Medida Provisória”, primeiro longa-metragem dirigido por Lázaro Ramos, estreou no dia 14 de abril e foi visto até hoje por mais de 230 mil espectadores. Além disso, o longa conseguiu uma conquista importante no cinema brasileiro: ampliar a exibição em mais 109 novas salas de cinemas nas principais regiões do país, na segunda semana de lançamento. O filme está sendo exibido em um total de 330 salas.

 

Na trama, em um futuro próximo distópico no Brasil, um governo autoritário ordena que todos os cidadãos afrodescendentes se mudem para a África – criando caos, protestos e um movimento de resistência clandestino que inspira a nação. O roteiro é de Lázaro Ramos, Aldri Anunciação, Lusa Silvestre e Elisio Lopes Jr. Já a produção é assinada por Daniel Filho e Tânia Rocha. No elenco, estão Alfred Enoch, Taís Araújo e Seu Jorge, entre outros.

 

Desafios de lançamento

A distribuição do “Medida Provisória” é assinada pela Elo Company em co-distribuição com a H2O. Em entrevista exclusiva para TELA VIVA, Sabrina Nudeliman, CEO da Elo, contou um pouco sobre o envolvimento da distribuidora com o projeto. “Inicialmente, surgiu a oportunidade de trabalharmos o longa no mercado internacional, onde realmente a Elo tem um nome mais forte. Mas um pouco antes da pandemia, a produtora nos procurou pedindo um apoio na distribuição no Brasil. Para nós, ele tinha um enorme potencial, e eu queria muito trabalhar ao máximo nesse projeto. É um filme que representa muito do que queremos ser, para onde queremos caminhar, que tipo de line-up queremos ter”, explica a CEO.

Ela prossegue: “Venho do mercado financeiro e criei a Elo porque adoro inovação e, principalmente, porque tenho tesão de fazer o que eu faço. Uma das coisas que mais acredito é no poder do audiovisual. Estudei muito sobre conteúdo de impacto social e entendo o filme do Lázaro nesse sentido. É entretenimento, tem a jornada do herói e um pouco de cada gênero, como drama e comédia. Ou seja, é feito para o grande público. Ao mesmo tempo, tem uma causa forte. E um objetivo de quebrar muros, isto é, passar a mensagem não só para os ‘catequizados’, mas principalmente para o negacionista, aquele que não sabe ou não acredita na história. Me apaixonei pelo filme e pela equipe envolvida no projeto. O produto é bom, claro, mas tem muito a ver com o trabalho feito. Lázaro não é só um artista, e sim um líder. Ele é capaz de juntar pessoas e tirar o melhor delas de uma forma que eu nunca vi”.

Ainda refletindo sobre o grande potencial do filme de reverberar uma mensagem, Sabrina – que é judia – faz o seguinte paralelo: “No Brasil, sabemos mais sobre holocausto do que sobre escravidão. Isso porque crescemos vendo esse tema na TV e nos cinemas. E estou falando de filmes de entretenimento, que não foram feitos apenas para os judeus. É assim que vejo o ‘Medida Provisória’. É um filme para o grande público, com uma história forte. Os pretos brasileiros que querem se ver na tela são o público primário, mas o alcance vai muito além disso”.

O longa sofreu com uma série de questões burocráticas e entraves de lançamento relacionados à pandemia. E mesmo assim, quando chegou aos cinemas, não foi um processo fácil. “A gente ouviu dos exibidores que era a pior semana para entrarmos em cartaz. Reunimos toda a equipe e tivemos uma longa conversa sobre essa questão, sobre esse feedback que estávamos recebendo dos exibidores. Era uma semana muito competitiva. Mas topamos correr o risco. Ao mesmo tempo em que era uma semana com muita concorrência, tinham dois feriados, o que poderia gerar bilheteria. E conseguimos ganhar nosso público. Acho que se considerarmos que não temos mais a cota de tela, que estreamos na pior data, que ainda sofremos os efeitos da pandemia – financeiramente falando -, esse sucesso vem para mostrar o poder do cinema nacional”, reflete. “O retorno positivo é uma mistura de alívio e felicidade. Foi muito trabalho, com muita gente se dedicando durante muito tempo”, completa.

 

Vozes da diversidade 

O bom resultado de “Medida Provisória” ainda vem consolidando o foco na estratégia da Globo Filmes pela busca por projetos de diversidade: a ampliação do volume de lançamentos que abordem questões relacionadas à temática negra e que tenham protagonistas, equipe e elenco formados majoritariamente por negros. “Temos muito orgulho da coprodução de ‘Medida Provisória’, filme que conta com 850 profissionais negros à frente e atrás das câmeras. Ainda existe muito trabalho a ser feito, mas já é possível ver essa estratégia refletida nas telas com alguns títulos como ‘Marighella’, de Wagner Moura; ‘SLAM: Voz de Levante’, de Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva; ‘Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil’, de Belisário Franca; além de ‘Doutor Gama’ e ‘Correndo Atrás’, ambos do diretor Jeferson De”, destaca Simone Oliveira, Head da Globo Filmes.

Nesse sentido, dos novos projetos, o próximo filme a ser lançado é “O Pai de Rita”, dirigido por Joel Zito Araújo e estrelado por Ailton Graça, Wilson Rabello e Jéssica Barbosa, que chega aos cinemas em 19 de maio. Também estrelado por Ailton Graça, “Mussum, o Filmis” teve a filmagem concluída em março no Rio de Janeiro com direção de Silvio Guindane. Em julho, será a vez de “A Festa de Leo” ser rodado, com direção de Gustavo Melo e Luciana Bezerra e previsão de lançamento para 2023. Em novembro, o longa-metragem “Malês”, dirigido por Antonio Pitanga, volta a ser rodado na Bahia. Completam a lista o filme “Amores Surdos 1500”, dirigido e roteirizado por Grace Passô, e ainda a adaptação do livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, com roteiro de Maíra Oliveira e a direção de Jeferson De. Em todos eles a Globo Filmes assina a coprodução.

Por fim, dos projetos com participação da Globo Filmes na etapa de desenvolvimento estão os premiados no Laboratório Nicho 54, como “Hater”, terror psicológico de Issis Valenzuela, e na Chamada de Projetos Infantis de Diversidade promovida pela Globo Filmes e pelo Gloob – “Além da Lenda, Cabriola e Chimbamba”, de Erickson Marinho e Ulisses Brandão, e “As Pés de Moleca e a Doceria da Bruxa Maria Mole”, com roteiro de Larissa Fernandes e Milena Ribeiro.

 

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