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Elo Company aposta em aproximação com as marcas e line-up mais comercial
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Elo Company aposta em aproximação com as marcas e line-up mais comercial

Artigo publicado no Tela Viva em 26 de Abril de 2022

 

 

A Elo Company está colhendo frutos dos últimos anos de trabalho e investimento, com produções originais e distribuição com grande potencial de audiência ao lado de importantes parcerias. Em entrevista exclusiva para TELA VIVA, Sabrina Nudeliman, CEO da Elo, fala sobre esse novo momento da empresa, os novos projetos e o posicionamento inédito. Sabrina afirma que o filme “Medida Provisória”, no qual eles assinam a co-distribuição ao lado da H2O, representa exatamente essa nova fase. “Esse projeto simboliza muito aquilo que estamos nos tornando. Ele tem tudo a ver com o que queremos ser, para onde estamos caminhando e que tipo de line-up queremos ter. É uma obra de entretenimento que, ao mesmo tempo, traz uma mensagem forte para o público”, explica.

Inicialmente, a Elo trabalharia com o longa apenas no mercado internacional – mas, com o passar do tempo e todos os problemas que surgiram especialmente por conta da pandemia, passaram a trabalhar diretamente no lançamento também no Brasil. O resultado, até agora, é bastante relevante: o filme já foi visto por mais de 230 mil pessoas e está em cartaz em 330 salas de cinema espalhadas pelo país.

 

Parcerias com o mercado publicitário 

“Antes do lançamento, fizemos um grande brainstorm. Vieram ideias incríveis, especialmente do Lázaro (Ramos, o diretor). Ele tem uma amplitude de pensamento que me impressionou. O grande objetivo, no fim, era levar pessoas que não vão ao cinema normalmente para assistir ao filme. Como faríamos isso? Aí surgiu a ideia de trabalhar com as marcas, que é uma coisa que eu acredito muito”, pontua Sabrina. “Quando a gente fala de audiovisual, é bom lembrar que temos uma coisa que ninguém tem: a pessoa sentada no cinema por duas horas só olhando para o filme, num momento de atenção plena. Isso, somado ao propósito muito forte do ‘Medida Provisória’, que traz essa agenda da diversidade que toda empresa tem interesse, faz muito sentido para as marcas. Estamos trabalhando com o apoio de algumas e, nesse caminho, já levamos ao cinema mais de seis mil pessoas de comunidades e organizações sociais. Pessoas que, normalmente, não iriam. Temos ainda empresas fazendo sessões fechadas acompanhadas de debates sobre diversidade para os executivos. Isso mostra o poder do audiovisual, algo que eu acredito muito”, conta.

A CEO adianta que a aproximação com as marcas estará presente em muitos dos projetos futuros da Elo Company: “Hoje, temos um modelo de negócio que é basicamente você ser prestador de serviço. E tudo bem, também estamos fazendo isso. Mas a propriedade intelectual é muito importante no nosso meio e, para que ela seja mantida, precisamos trazer investimento para os projetos. Ao mesmo tempo, é do interesse das marcas criar novas possibilidades de negócios. Fui ao SXSW (South by Southwest) com essa agenda de relacionamento com as marcas e o resultado foi excelente. As marcas hoje não fazem só os 30 segundos na TV porque não funciona. No audiovisual, temos essa atenção plena do público, que é incrível, e conseguimos trabalhar de acordo com os propósitos da marca”.

 

Investimento em projetos mais comerciais 

Conforme Sabrina afirmou anteriormente, o trabalho com o “Medida Provisória” cristaliza o que a empresa quer fazer daqui pra frente. “Visamos filmes com um potencial maior de alcance e, de preferência, com algo que vá além do entretenimento. E pensando especialmente em estratégias inovadoras, como esse trabalho forte em parceria com as marcas”, resume.

Nesse sentido, ela diz que o que vem por aí é resultado de um trabalho de reposicionamento que começou há cinco anos. Entre os projetos, destacam-se “Depois da Saideira”, uma comédia road-movie com Thati Lopes e grande elenco que será lançada no começo de 2023; “Ecoloucos”, uma comédia regional; e “Miss Beach Star”, uma comédia dirigida por Cris D’Amato com Fabiana Karla no elenco e co-distribuição com a Sony, cujas filmagens terão início no próximo mês de maio. Além disso, está em fase de pré-produção o filme “Viva a Vida”, um longa de comédia que será rodado em Israel em novembro e, segundo a CEO, contará com diversos apoios fora do espectro do audiovisual. Em todos esses projetos a Elo atua como distribuidora. Já como produtora, ela prepara a filmagem de “Avenida Beira-Mar”. O longa, que será dirigido e roteirizado por Maju de Paiva e Bernardo Florim, é uma coprodução da Elo com o Telecine e Viralata, foi vencedor do Prêmio Selo Elas Cabíria Telecine 2020 e faz parte do Selo Elas 2021, uma iniciativa da Elo Company que fomenta longas-metragens dirigidos por mulheres como forma de colaborar com a equidade de gênero no setor.

“Esses projetos mostram para onde estamos indo. É uma mudança no tipo de produto. Não significa só fazer comédia, de forma alguma, e sim projetos com alcance maior, tanto no Brasil quanto lá fora. Isso também não quer dizer que vamos largar essa busca por novos talentos. Achar essas pérolas é uma parte importante do nosso trabalho”, garante Sabrina.

Essa mudança de mindset é um processo que começou há cerca de cinco anos. A CEO explica as motivações: “A questão da cauda longa dos projetos que muito se fala hoje em dia pra mim é uma mentira. É muito difícil viabilizar os projetos se você não tiver financiamento público. Nós temos um conselho de investidores e, junto deles, traçamos alguns objetivos, e o principal deles era crescer. Acho que na nossa indústria não existirão mais empresas pequenas. O mercado está se consolidando, os grandes grupos de mídia estão se fundindo. Ou você vai ser grande ou vai ser uma empresa de uma pessoa só. Ser de tamanho médio ficou muito difícil. Esse era um ponto. O outro é que lançar filmes pequenos dá muito mais trabalho do que lançar filmes grandes. São mais esforços e menores orçamentos. Fora o prazer que dá falar com um público maior. O desafio agora é conciliar assuntos e temas que nos interessam dentro dessa gama de filmes maiores”.

 

Mudanças no modelo de trabalho 

A Elo, que anteriormente atuava apenas como distribuidora, há cinco anos passou a trabalhar também com produção. A decisão foi tomada a partir da constatação de que a figura do intermediário, isto é, do distribuidor, estava fadada a desaparecer. “Em todas as áreas vemos esse papel do intermediário cada vez mais reduzido e no audiovisual não é diferente. Por isso criamos essa equipe de produção anos atrás. De lá pra cá, nosso time cresceu, mas muito mais do que crescer em números, crescemos no sentido de montar uma equipe sênior e forte”, ressalta.

“Se você quer ter pessoas boas na sua empresa, precisa ter dinâmicas que atraiam essas pessoas boas”, define a CEO. “Somos totalmente transparentes. Nosso orçamento é aberto, o que significa que todo mundo consegue saber quanto cada área está gerando, por exemplo. Esse conceito da transparência foi reforçado com a pandemia, quando a questão financeira ficou mais preocupante. Outro ponto é a meritocracia. Nós trabalhamos com feedbacks 360, todo mundo dá e recebe feedback. Assim a equipe vai evoluindo. Já o home office, que já era uma prática antiga, também se intensificou na pandemia. O período reforçou a cultura de metas. As pessoas que trabalham comigo têm responsabilidade e autoridade”, detalha.

Hoje, a equipe da Elo conta com lideranças femininas: Barbara Sturm, diretora de conteúdo e criadora do Selo ELAS; Lívia Fusco, coordenadora de programação; Paula Garcia, head de produção; Sheila Souza, gerente financeira; Natalia Angeloti, técnica; Emmanuele, financiamento; Carolina Szganzela, licenciamento; Helena Peregrino, marketing; e Clara Camargo, digital e marcas. “Elas tocam o dia a dia, tomam decisões. É uma equipe horizontal. Nós só conseguimos crescer porque sei que, se eu sair, a empresa continua a rodar. Essa é uma grande diferença que eu vejo entre nós e outras empresas audiovisuais”, destaca.

 

Visão de futuro do mercado 

Nesse período que muitos já chamam de pós-pandemia, a CEO da Elo presencia um ritmo de trabalho intenso. “Está difícil formar equipe. O financiamento para produção mais do que triplicou no mundo, especialmente quando olhamos para as grandes plataformas de streaming. Ao mesmo tempo em que estamos com grandes projetos, as outras produtoras também estão. Falta mão de obra”, aponta. Em paralelo, ela cita outro problema: “A dificuldade hoje é termos produções em que a propriedade intelectual se mantém. Para isso precisa de dinheiro – de marcas, investimentos, dinheiro público. Teremos um ano com muito produto, mas a gente acaba avaliando o que será do nosso mercado a depender da política pública. Tivemos um aceno muito positivo de fundo setorial – espero que ele se cristalize e tenha continuidade, porque é isso que faz a indústria crescer”.

Por fim, Sabrina reflete sobre o futuro do consumo audiovisual e cita novamente a recente experiência em Austin, no SXSW, para explicar seu ponto de vista: “Lá se fala muito de tendências e grande parte dos painéis girava em torno de dois polos – tecnologia e humanização. A pandemia acelerou tecnologias de trabalho remoto, genética, medicina. Por outro lado, trouxe mais forte essa questão humana. A gente passou por um trauma coletivo em âmbito mundial. Quando isso acontece, nos voltamos para dentro, nos questionando para onde vamos, o que realmente tem valor. Saímos da pandemia valorizando muito a experiência. Ainda somos humanos, a experiência ainda é coletiva. Na minha visão, teremos produtos e produtos – alguns funcionam para serem lançados diretamente no digital, e é ótimo, mas vejo as pessoas querendo gastar mais dinheiro com experiências do que com bens e, nesse sentido, o cinema volta com força. O ‘Medida Provisória’, por exemplo, é um filme de catarse coletiva. Na maior parte das sessões as pessoas batem palmas no final. Essa experiência coletiva ainda será muito valorizada”, conclui.

 

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